terça-feira, 17 de junho de 2025

Verdade

 São quase 3h da manhã, provavelmente quando terminar vai ser mais que isso. Eu estava na cama, pensando o porquê de tanto afastamento. O porque eu me sinto assim, como se algo sussurrando no meu ouvido: “ ele nunca gostou de você; você sempre foi apenas um corpo bonito, e agora?! Você não é nada”. E eu apenas fingindo que era alguma paranóia. Mas quando estou olhando pro passado e agora vejo o futuro. Vejo quão deprimente é isso. 

Eu tinha um corpo lindo, e me esforçava para ter uma boa aparência. Já que meu cabelo não era a melhor qualidade pra mim naquela época. Barriga trincada, pernas torneadas, fazia banho de lua. Eu tinha muito orgulho do corpo que conquistei e mantive por tanto tempo. Até os remédios começarem a fazer efeito. Foi os remédios? Foi a gula? Foi o refúgio em comer? Foi a depressão? Eu coloquei a culpa em tudo. Menos no foco do problema: EU. 

Foi eu que colocou o garfo na boca. Foi eu que comprei as comidas gordurosas. Foi que quando sentia felicidade, comia, tristeza comia, tédio comia. Eu poderia fazer tanta coisa com esse tempo. Eu levei meu corpo no limite. Agora levo o meu relacionamento imaginário no limite também. 

Ele era obcecado por mim. Hoje é apenas sombras daquilo. Eu posso estar a mais bem vestida, o cabelo mais bonito, o estilo mais incrível. Se eu não pesar pelo menos 68kg ele nunca vai me olhar como daquela vez. 

Você deve tá se perguntando, 68 kg pelo menos?! Isso não é magra. E não é. Mas esse foi o peso limite no qual eu ouvi um elogio sincero dele. Hoje eu sou apenas a sombra. 

Dói. Dói. Ser apenas um corpo, apenas pele, apenas músculos, apenas gordura e ossos. Eu não sou um ser humano digno de amar pelas qualidades e inteligência. Eu sou um corpo, no qual pode pegar, apalpar, e fazer o que me quiser. 

Não consegui olhar na cara dele quando foi pra cama. Depois +2h sozinho na sala vendo alguma bobagem na tv. Quando subiu me perguntou o que eu fazia ainda acordada. Eu o ignorei. Eu virei para o lado, e fingi que ele não estava lá. Comecei a chorar, então peguei meu coberto e desci escada abaixo. 

Estou sala, a Sasah tá aqui. Acho que ela sabe que não estou bem, os gatos sentem o povo diz. Deitada num sofá imundo, digitando freneticamente no celular. Eu sou a culpada. 

Sou culpada por nunca ter levado a sério. Sou culpada por ter deixado as coisas irem por esse caminho. Sou apenas culpada. E se ele estiver me traindo? Eu me perguntei isso. Depois de anos sem passar isso pela minha cabeça. Eu me perguntei. 

E se ele estiver com alguém e falar: Eu tô aqui com essa gorda nojenta kkkk, mas eu queria estar aí com vc fulana*. Ela é tão deprimente kkkkk só pensa em comer, não consegue fazer uma caminhada essa nojenta kkk nem consigo ficar perto dela. 

E SE ELE FALAR ESSAS COISAS DE MIM? E se mesmo que ele não tenha ninguém, ele pense assim???? 

Dói. Dói. Não existe quantidade de lágrimas pra chorar em pensar em tudo isso. Apenas dor. 

sábado, 17 de maio de 2025

Desorgulho

 


Sinto que nunca dei orgulho aquela mulher, nunca, nem quando escrevi 8 páginas de redação. Nem quando tirei 10 em uma prova. Nem quando fui a melhor da sala. Nem quando perdi a virgindade maior de idade. Nem quando casei com o homem que perdi a virgindade. Nem quando não engravidei na adolescência. 

Nunca. 

Parece que sempre fui um grande peso de desorgulho na vida dela. Eu sinto grandes olhos de desprezo e nojo, em cima de mim. Será paranóia? Obviamente que não. Pois perguntei uma vez para ela. E ela disse que eu não seria capaz disso, e tava tudo bem. 

Como assim tudo bem??? Minha mãe sabe muito bem como cravar uma enorme estaca no peito de uma pessoa. Pois devem ter cravado no dela. Mas cravar no peito da própria filha? Pois é, para mim era novidade também. Mas o que eu posso dizer também? Filha gorda. Desempregada atualmente. Não tem ensino superior. Não tem uma casa. Não tem filhos. Não é bonita. Não tem carro. Não tem casa de veraneio. Não tem algo para se orgulhar. 

Deprimente.

Na idade dela, pelo menos deveria ter alguma coisa. Eu tenho um punhado de cortes. E ainda por cima, tenho um marido que me ama para esfregar na cara dela. ( Não sei se isso a incomoda, já que o meu pai não ficou com ela, ou abandonou todas as vagabundas por ela ) 

Sempre tive a teoria que ela me odiava ou algo do tipo porque eu era o lembrete que meu pai era o karma dela. Esta semana ela disse que eu era a coisa mais importante da vida dela. Mas eu não acreditei. Porque eu nunca fui. É só fazer as contas, me deixou nunca casa horrível, sofri só Deus sabe, quando contei não acreditou, depois anos sozinha. E outras milhões de coisas. 

Minha terapeuta diz que minha mãe ama de um jeito peculiar. De um jeito dela, eu digo que isso é balela, que ela é relapsa. Mas ela insiste. Se ela me amar, olha, estou preocupada com quem me odeia. 


quinta-feira, 8 de maio de 2025

Sumi, eu sei...

 Aconteceu muitas coisas e eu não vou conseguir lembrar do que se trata. A primeira coisa que obviamente eu lembro é... 

Que um dia desses aí eu surtei porque estava gorda, e não sai mais de casa. Acho que não sei mais fazer nada disso. Nem emagrecer, nem escrever, nem pensar, parece que minha cabeça entrou num looping infinito de reclamações e lamúrias. 

O que tivemos foi minha mãe de férias, minha mãe estressada, meu avô querendo morrer, eu gorda surtando. Apesar de que nada disso adianta em absolutamente nada. Essa é verdade. Acho que é por isso que nem fiz questão de vir aqui. Escrever e reclamar não muda nada, continua um infinito de reclamações.

Eu só estou aqui para dizer que estou viva. E que ainda, AINDA não morri....

quarta-feira, 26 de março de 2025

Fora de órbita

 


sumi daqui, eu sei provavelmente é porque não tinha nada para falar ou alguma novidade banal do dia a dia. Os dias tem sido monótonos, e tediosos, parece que vivo dentro de uma canoa no meio mar. Balança. Tem tempestade. Mas é apenas água, sol, e chuva. 

Eu continuo lendo e inclusive terminei alguns, o último foi Apetite Doentio. Ultimamente tenho visto um movimento literário, aonde pessoas buscam leituras extremamente pesadas. Como temas que geralmente ninguém tem coragem de ler como incesto por exemplo. 

Adentrei no mundo dos booklovers e vi de tudo. Gente espalhando reviews sobre livros pesadíssimos. Inclusive o cancelamento de uma escritora que fez um livro sobre pedo. Tratando como se fosse algo super normal.

O que me leva a pensar... O que faz uma escritora escrever tamanha atrocidade, e achar isso super útil para humanidade? O que resultou em um grande cancelamento, e o livro dela sair das lojas on-line. 

Eu ainda quero fazer faculdade de literatura, tenho vontade de escrever livros e roteiros para jogos e séries. Porém a esse nível, me dá arrepios. Mas é aquilo: se tem gente vendendo, tem demanda! 

Faço faculdade de Marketing Digital, e vejo bem como o fluxo de pessoas tende a ir aonde é o trends. Inclusive eu tinha caído nisso um tempo atrás. Quando me veio uma indicação de vídeo no tik tok do livro PET. Ele é de um autor brasileiro. Logo nas primeiras páginas eu fiquei enjoada, enojada, e com vontade de bater minha cabeça numa quina. 

Fetichista. Abuso*. E muito gore. E role play, acho que é assim que escreve. 

Eu terminei a introdução e algo me disse, desinstala esse livro. Você vai se arrepender, eu atendi na hora. Aquilo não ia me agregar em nada, provavelmente iria tirar meu sono. O que quero é que tem sido dias assim.

Sem sono. Livros. Estudo. As vezes comida demais e as vezes menos. Eu sinto que estou até mais pesada, o que me lembra que se a comida não entrar, eu não vou engordar****. 

Eu tive um sonho que eu era muito magra, aquela cinturinha, calça de cintura baixa, magra, linda, educada e charmosa.

Tudo que eu quero.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Skinny 🧠❤️

 


sim, eu desaparece porém eu estive lendo, o que é uma coisa FORMIDÁVEL!!!✨✨✨

para quem não sabe, eu sempre fui louca por livros. ( Quer dizer que sou inteligente? ) Não! Mas consigo desenrolar vários assuntos. Quando criança minha mãe colecionava fragmentos da revista Veja. Naquela época nos anos 98/99 junto com a revista tinha um pedaço de uma “ Barça ”. 

Eu estudava aquilo por horas. Não tinha irmãos e nem amigos o tempo todo, então o que me restava era livros infantis e enciclopédias. Eu lembro que eu tinha uma coleção que falava sobre todos os dinossauros. EU AMAVA. Horas a fio de bruços na minha cama, lendo e lendo. 

Minha mãe nunca mencionou se tinha ou não orgulho de mim. Se tinha, bom, nunca falou é claro.  E ela nunca teve, inclusive quando fiquei num período extremamente ruim de leitura. Ela disse que era preguiça. Eu não preciso de inimigos, apenas sentar e conversar com a minha mãe é o suficiente para eu querer me matar muitas vezes. 

Eu li 3 livros esse ano, considerando que ano passado eu li 1 o ano todo? Acho que foi isso. Eu li crime e castigo/ O acidente/ o homem sussurro. Todos fantásticos! ✨

O homem sussurro é tenebroso eu sentia uma ponta no estômago toda vez que passava um capítulo. E o acidente eu devorei em poucos dias. É muito interessante e tem várias surpresas. E crime e castigo,  doloroso, matador, e solitário. 

Meus dias tem se resumido em estudar e ler. Os dias de março começou até que bem eu diria. Penso todo dia, você não precisa comer. E não como. O estômago dói e reclama, mas quando me pego lembrando de tudo que aconteceu nos últimos dias. 

Comer não vale nenhum pouco a pena. E se torna impossível colocar algum alimento na boca. Pensamentos como nuvens se tornam uma tempestade em meio todo o mundaréu de vozes na minha cabeça. Insônia se fazendo presente. Eu quero ter boas notícias. Eu quero poder ter dizer gente eu finalmente cheguei num peso que muitos anos atrás eu estive. 

O sacrifício é agora. Domine a sua fome e você consegue dominar qualquer coisa.

Shiiiiiih.

O sacrifício vale a pena.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Problemas demais

 


sábado finalmente quebrei o jejum de ir para algum lugar com o meu marido. Não era uma saída oficial, afinal tínhamos que ir na operadora de chip, sei lá como chama para ele desbloquear o número dele. 
E aproveitamos para andar um pouco. Ele estava animado, sorridente, obviamente aquele humor ia mudar rapidamente. Ele é assim. Pedimos um pedaço de pizza ( no pizza Hut ) ele comprou um Chopp de Vinho pra ele, e eu uma coca zero. 
Perguntou se eu queria sorvete, mas dispensei a pizza já era bastante caloria para aquele dia. 
Depois andamos mais um pouco e compramos um vinho. 
Fazia muito tempo que ele tinha tirado uma folga, ele vinha trabalhando vários dias seguidos sem final de semana. E eu, bem sem dormir na semana. Inclusive estou sem dormir agora. Provavelmente já deu +24 hrs sem dormir. 

este post tem como finalidade contar do fatídico dia que fiz uma grande besteira...
Eu estava muito chapada, tinha tomado muito remédio. Deprimida. Chateada. De mal com a vida. Então fui chorar minhas dores para a lâmina. Logo de início foi pequenos co* até que eu abri uma coisa muito grande. Já é a 3° ou 4° vez que faço isso. Meu braço esquerdo aonde tenho uma tatuagem, já está deformado. 
eu fiquei dias escondendo aquela monstruosidade. Eu senti orgulho? Felicidade? Alguma coisa? Absolutamente não. Me senti uma enorme aberração. 
Como um ser humano consegue fazer isso com ele mesmo? E simplesmente seguir a vida? Depois de + 1 semana usando blusas de manga num calor +35°. Contei para o Duda. Ele não teve reação, apenas continuou olhando pra tv. 

OBVIAMENTE não mostrei, e com certeza ele não ia querer olhar. Ele não disse nada, dava pra ver nos olhos a cara de decepção. Claro, como se eu pudesse explicar o que se passa dentro de mim. Se eu não sei explicar pra mim, que dirás pra ele. Minha mãe se viu, está fingindo a Kátia cega. Mas como eu sou acostumada a manter esse braço fora de vista, eu sempre estou o usando meu braço direito. 
E como ele não cicatrizou direito, ele dói, e da umas fisgadas esquisitas e eu sempre lembro. Penso que ser quebrada por dentro é o fator determinante pra tudo que sou. E que eu n ter ido de arrasta é um grande milagre. Mas não quer dizer que eu não vá. E se eu for, provavelmente o sangue do meu pai deve ser amaldiçoado. Porque se dois filhos dele se matar seria foda. 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Flutuações

 


é 12h e alguma coisa da manhã, meu horário de dormir está todo confuso. É manhã é noite? Talvez tarde? Tanto faz. 

Me vejo dormindo no sofá podre da sala, meu quarto está um inferno devido o calor que tem feito nesse maldito país. Um calor que me faz querer me enfiar dentro daqueles freezers que guarda grandes pedaços de boi. 

Meu notebook e cadernos estão na mesma da cozinha, praticamente desde que começou as aulas. Se eu pensasse em estudar lá em cima, provavelmente eu nunca estudaria. 

1h40 eu me espreguiço no sofá, a Sabrina é minha companheira nessa madrugada calorenta. Está dormindo na borda do sofá. Estranhamente eu estou no sofá menor. Meus pés e panturrilha ficam pra fora. Mas acho mais confortável. 

Levanto. Afago a cabeça da minha fiel companheira, pego algo gelado pra beber provavelmente água. E ligo o notebook. Já está na página da faculdade, aonde eu parei. E volto a estudar. As palavras vão se deliciando do meu cérebro. Incrivelmente eu estou imersa sobre o assunto ali falado. 

Quando é 4h30 minha mãe desce as escadas. Os pés dela fazem uma pisada muito forte, como um “ pah, pah” me incomoda um pouco. Ela não tem pisada suave. Ela me dá bom dia, e questiona o porquê não consegui dormir. Eu? Dou de ombros. 

“ Ué tem sido assim nas últimas semanas, mas tenho aproveitado pra estudar e ler. ” 

Ela olha e só comenta que percebeu que eu estou fazendo isso mesmo. Mas que estou com aparência de cansada. Ela faz café e uma tapioca com ovo. 

Já faz 2 semanas que esse é meu café da manhã. Achei gostoso. Não tenho comido de madrugada como antes. Eu comi leite condensado. Isso admito que comi. Mas do jeito que eu estava não. Inclusive senti sim uma diferença. 

A verdade é que eu tenho que melhorar muito mais. Mas a tristeza tem sido uma grande inimiga. Abatida eu estou, e em uma grande trincheira de guerra eu me aloquei.