terça-feira, 7 de abril de 2026

intrusos


a chuva cai forte lá fora, eu não tenho nenhum pouco de sono. Sinto besouros no meu ouvido, e na escuridão algo me vigia. Eu sei. Eu vejo a sombras dela na escuridão. 
você comeu muito minha querida? Ela sussurra de leve no meu ouvido. Eu me encolhi na cama, senti a bile no céu da boca. — eu não deveria ter comido aquilo tudo. 
sibilando no escuro, ela torna a falar: os meses estão se passando, e você é a única continua... Continua nojenta, continua gorda, oleosa, feia... — ela ri.
coço as cicatrizes de maneira feroz, queria que todas se abrissem, que todas jorrasse sangue, sangue vermelho, a ponto que de ficar apenas um boneca mole.
Ela tem razão. ( Penso ) 
Tristeza que se acumula nos móveis, nas roupas, na mobília inchada devido as infiltrações e o mofo. Mofo que compartilho na minha pele, nos meus olhos.O acúmulo de fracassos marcam a minha pele. 
estou rachando, estou quebrando, mas meus cacos não finos e delicados. São grossos, camadas e camadas de argila fui feita. Sou pesada. Torta. Desengonçada. — ela ri.
Sussurrando no escuro, me encarando, me vigiando — deprimente. Deprimente. A sua inutilidade me dói os ossos. Me dói o espírito. — ela ri mais alto ainda...
não existe mais inútil do que um ser humano que não consegue nem mesmo morrer...